Um Longo Caminho até Copenhague
A recente Conferência do Clima realizada em Copenhague (COP15) não atingiu os objetivos aguardados por toda a população mundial. O mundo esperava que os governos nacionais chegassem a um acordo formal que definiria as políticas de combate às mudanças climáticas após 2012. Porém, os países não lograram chegar a um acordo comum e o planeta continua esperando resultados e ações práticas dos governos nacionais para mitigar os danos causados pelo aquecimento global.
Por outro lado, a grande presença de representantes de governos locais de todas as partes do mundo no evento demonstra que é possível acreditar em medidas eficazes de combate às mudanças climáticas. A maioria da população mundial já vive hoje em cidades e ações concretas por parte dos municípios podem ser, inclusive, mais importantes que as ações tomadas pelos governos nacionais. Várias cidades do mundo como São Paulo já possuem sua própria estratégia de combate as mudanças climáticas.
A delegação de governos locais brasileiros levada pelo ICLEI à Copenhague foi composta por municípios de diferentes tamanhos e regiões do país. Grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre estavam representadas. Cidades pequenas como Apuí e Cotriguaçu também estiveram presentes.
Os municípios de Apuí no Amazonas, representado pelo prefeito municipal Antônio Marcos e Cotriguaçu no Mato Grosso, representado por seu Secretário do Meio Ambiente Arnaldo de Campos realizaram um esforço imenso para chegar até Copenhague. Arnaldo de Campos, por exemplo, saiu de Cotriguaçu na segunda-feira 7 de dezembro e só chegou à capital dinamarquesa na sexta feira 12 de dezembro. De Cotriguaçu até Cuiabá (893 km) foram horas de viagem, passando por estradas de terra, balsas e rodovias asfaltadas. Após a chegada em Cuiabá, começou outra maratona aérea até Brasília, Lisboa e finalmente Copenhague.
A viagem do prefeito de Apuí também não foi diferente com grandes obstáculos até chegar ao destino final. Antônio Marcos viajou 500 km até Manaus para depois voar até Brasília, Lisboa e finalmente Copenhague. Esforços como os dos representantes de Cotriguaçu e Apuí demonstram que ainda é possível ter esperança ao saber que municípios de grande, médio e pequeno porte estão engajados na luta contra o aquecimento global.
Além de participar da COP15, os representantes dos municípios brasileiros presentes também realizaram encontros com pares de outros continentes e uma visita técnica a um projeto piloto de bairro sustentável na cidade de Malmo na Suécia. Essa comunidade, construída na anteriormente degradada região portuária leva em conta a sustentabilidade em todos os seus aspectos com construções sustentáveis, telhados verdes, geração de energia a partir dos resíduos sólidos orgânicos e outras ações. Os representantes brasileiros presentes consideraram muito importante esse intercâmbio e acreditam ser possível implementar em suas cidades ações similares.
Já são sabidas as dificuldades enfrentadas para que os governos nacionais atinjam um acordo em meio a tantos interesses e disputas entre o Norte e o Sul, países grandes e pequenos. Porém, sem a efetiva participação dos governos locais não se conseguirá chegar a um efetivo acordo. É de vital importância a continuidade das ações de pressão por parte dos governos locais para serem incluídos no novo acordo que todos desejam que seja concluído sem demoras. O ICLEI continuará junto dos governos locais para que sua voz seja ouvida durante a continuidade das negociações sobre a proteção do clima.







